Cada uma dessas fases reúne especificidades que direcionam as dinâmicas de constituição de identidade de um grupo e as dinâmicas de interação indivíduo/grupo. | |
FASE DA INCLUSÃO | |
Começa na formação do grupo; o participante quer descobrir primeiro onde se encaixa. As primeiras preocupações são: decidir se quer e pode estar incluído ou não nele, estabelecer-se como indivíduo distinto dos outros e verificar se será valorizado ou ignorado. Ao mesmo tempo, estará decidindo até que ponto poderá se comprometer com este grupo, pois dispenderá energia também em outros compromissos, sendo necessário um espaço para participar dele. Decidirá basicamente quanta interação e comunicação desejará ter. As perguntas naturais são: O quanto de mim darei para este grupo? O quanto serei importante nesta situação? Será que eles irão apreciar quem eu sou e o que possa fazer, ou permanecerei indistinto de todos os outros? Entendendo que nesse momento as pessoas estarão diferenciadas (representando somente a si mesmas já que ainda não há identidade de grupo), é imprescindível o máximo de cuidado para que ninguém fique exposto a situações onde haja necessidade de responder pelo grupo ou colocar para ele questões pessoais e/ou intimas. No transcorrer do processo de formação do grupo, outras preocupações surgirão: transgredir ou não os limites impostos e pertencer ou não a ele. Se houverem dúvidas e ansiedades, a tendência de alguns participantes é manifestarem comportamentos centrados em si mesmos, falarem e/ou retrairem-se exageradamente ou exibirem-se. As técnicas utilizadas devem visar a motivação para atrair, cativar e despertar o interesse para o tema, de uma forma ampla. | |
| FASE DO CONTROLE | |
Nesta fase, o grupo tem delineada a noção de estar reunido. Nela, o comportamento característico inclui a disputa por liderança de um modo geral e pela atenção do líder. Aparecem os primeiros traços de competição. Os membros do grupo tomam decisões, compartilham responsabilidades, questionam o facilitador e distribuem poderes de uma forma desorganizada. Uma vez decidido que pertencem ao grupo, os elementos passam a se sentir incluídos e, se o contrato de trabalho tiver sido elaborado de forma clara, os participantes terão oportunidade de manifestar opiniões pessoais sobre os temas. Isto pode trazer algum transtorno à equipe, pois várias formas de abordar o mesmo assunto serão expressas. É importante comunicar que o grupo deve sentir-se à vontade para explicitar pensamentos, idéias e sentimentos. Havendo consenso nas questões debatidas, surgirá um quadro de características que definirão o perfil do grupo, configurando, a partir de então, a identidade própria do mesmo. Isto significa dizer que as pessoas mostram-se Os recursos técnicos que coadunam com as características desta fase precisam estar centrados em exploração, isto é, deverá ser apresentado o maior número possível de materiais referentes ao tema, uma vez que o grupo estará se preparando para escolher, optar, decidir, conhecer e questionar o que estiver sendo trabalhado. Neste período torna-se importante promover atividades que partam do individual para o coletivo. Finalmente, não deve ser esquecida a avaliação da atitude grupal pelo facilitador em todas as fases, uma vez que irá depender disto o quanto será possível avançar ou recuar em relação ao conteúdo. | |
| FASE DO AFETO | |
Uma vez manifestadas e resolvidas questões da fase de controle, os temas relacionados à afeição passam ao primeiro plano. Os participantes já se diferenciaram, no que se refere à responsabilidade e ao poder, e passarão a experimentar formas de se tornarem emocionalmente integrados. Nesta fase, acontecem as mais diversas expressões de sentimentos positivos e negativos: hostilidade pessoal direta, ciúme, emoções e formação de pares tornam-se mais evidentes, sem que isto signifique desrespeito ou desconsideração das partes. O que diferencia esta fase da anterior é o fato de que, ao expressar tais emoções, os participantes conseguem fazê-lo de modo que a situação não apresente caos ou falta de controle. Cada participante pode, neste momento, comunicar-se com os demais de maneira adequada e mais verdadeira do que no início do grupo. A atmosfera de intimidade que se apresenta neste período favorece a fase de formalização. É neste momento que o produto de toda a vivência do grupo frutifica. Baseado nisto, o facilitador deverá trazer possibilidades de efetivar esta ação através de técnicas que permitirão uma avaliação formal. Neste período o grupo tende a se "distanciar" do facilitador, pois o mesmo estará voltado para a elaboração do seu produto e, em função disto, não deverão surgir tantos questionamentos relacionados à liderança. Ainda assim, o facilitador precisará manter postura de referência e suporte para que a próxima fase (separação) seja efetivada e o processo possa ser concluído integralmente. | |
| FASE DA SEPARAÇÃO | |
Os grupos ou as relações que estejam prestes a terminar ou a reduzirem seu nível de interação e que não tenham vivenciado integralmente as etapas anteriores, exibem comportamentos do tipo: ausências e atrasos freqüentes, mais dispersão e devaneios, esquecimento de materiais, evasão, entre outros. Deste modo, geralmente as pessoas relembram experiências anteriores buscando oportunidades para abordar questões que não foram completamente resolvidas no momento destinado à elas, tentando resgatar de uma só vez todo o conteúdo que foi apresentado. Nestes casos, é comum surgirem dificuldades, na medida em que as pessoas desejam avidamente recuperar o que já passou e não conseguem avaliar o que foi produzido ou então tendem a enfatizar apenas aspectos negativos.Quando a atenção fica voltada a estes aspectos, o grupo tenderá a perder a força para concretizar a separação, pendendo a uma "diluição" e, consequentemente, apresentar dificuldades para incluir-se em um novo grupo ou processo. A realização de uma avaliação é importante no sentido de se detectar pontos positivos e negativos. A partir de então, ficará mais fácil para os participantes estabelecerem metas individuais ou com pequenos grupos para que os conteúdos objetivos e subjetivos sejam estendidos dentro do seu contexto. É neste momento que deverão ser aplicados os pós-testes e avaliações formais referentes aos conteúdos. O cuidado que o facilitador precisa ter com os participantes deverá ser redobrado nesta fase, pois a separação, na nossa cultura, tem uma conotação de finitude e morte. Nesse trabalho, a ênfase que deverá ser dada é de estarmos ora diferenciados (separados) ora indiferenciados (juntos), tal qual na dinâmica da vida. Este exercício constante traz a possibilidade de nos descobrirmos criativos e interdependentes e não mais determinados a um condicionamento, dependência ou submissão. |
sábado, 14 de maio de 2011
FASES DO GRUPO
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